terça-feira, 24 de março de 2009

Extensão Rural - Reflexões sobre Educação

Caros alunos,

A partir do texto disponibilizado abaixo, realize a postagem de comentários.
Explicitando suas impressões, concordânica e discordância com relação ao texto.
Lembre-se, vocês tembém poderão fazer comentários a partir das colocações de seus colegas.


Enfoques pedagógicos para intervenção no meio rural
Eros Marion Mussoi
“Do exercício à reflexão”

A provocação contida neste texto, busca a reflexão de diversas escolas pedagógicas (pelo menos as mais marcantes na educação formal e informal) e principais elementos que intervem no processo de ensino-aprendizagem, à partir de situações hipotéticas mas de referência prática[1].
Observando a realidade, poderemos resgatar algumas possibilidades de situações de aprendizagem para, posteriormente refletirmos sobre elas:
1. um jovem meio rural (que chamaremos de Caetano), está fazendo um curso sobre pecuária e precisa aprender sobre inseminação artificial. Ele participa do curso e a partir das aulas teórico-práticas ministrada pelo extensionista, Caetano ele procura outras informações técnicas em livros e revistas técnicas. Posteriormente, ele procura o inseminador de sua comunidade para familiar-se com o instrumental, inclusive assistindo algumas atividades práticas deste profissional. Na sua primeira tentativa de realização sozinho, ele fracassa. Tenta outras vezes, procurando evitar os erros antes cometidos. Mesmo assim ainda não consegue fazer uma boa inseminação. O inseminador de sua comunidade e o extensionista vão lhe indicando seus erros. Após diversas tentativas, Caetano finalmente faz uma boa inseminação. Os instrutores estimulam-lhe com palavras e gestos de aprovação e estímulo. Caetano repete várias vezes a prática, até realiza-la bem e com rapidez.
2. Anna Luiza é uma agricultora que cuida das vacas de leite de sua propriedade. Ela tem dificuldades de leitura pois não conseguiu estudar pelas dificuldades de sua família. Desta forma, mesmo que tivesse acesso à livros, revistas técnicas e mesmo cursos teóricos, teria dificuldade de aprendizado. No entanto, um dia ela viu na casa de uma vizinha um inseminador realizar uma prática. Sabendo da importância da prática, conseguiu sêmen e o instrumental com a vizinha e resolveu fazer ela mesma esta prática. Como nunca tinha feito, foi experimentando o instrumental, tentando lembrar o que o inseminador tinha feito. Depois de muito tentar, Anna Luiza conseguiu inseminar uma vaca. Depois disto, com confiança, conseguiu inseminar as vacas restantes, nunca mais tendo problemas em acertar a prática.
3. Arthur é um jovem que vem de uma família com baixo nível de instrução formal. Ele ingressou numa escola de alternância (Casa Familiar Rural) e, na fase inicial do curso, tinha dificuldade de entender o que os professores diziam. Anotava tudo que não entendia e depois procurava “decifrar” os termos técnico-científicos, com ajuda de colegas ou mesmo na pequena biblioteca da escola. Com o tempo procurava incorporar os termos que “aprendia”. Muitas vezes usava de forma equivocada alguns termos e provocava risadas na turma e mesmo dos professores. Mas Arthur gradativamente ia apreendendo o emprego correto de mais termos... isto ia lhe dando segurança. Esta segurança estimulava-lhe a se esforçar mais para dominar o vocabulário técnico.
4. Darsana era uma jovem que havia realizado um curso de profissionalização rural em suinocultura. No final do curso havia um pós-teste para verificar os ganhos de aprendizado. Na prova, no tema “melhoramento racial”, uma das questões envolvia a tarefa de explicar, de maneira simples, a comparação de duas formas de cruzamento entre raças suínas e seus resultados. Darsana tinha assistidos às aulas em que o instrutor explicou diversas teorias sobre o assunto, além de ter lido textos sobre a questão. Darsana faz um enorme esforço para estabelecer semelhanças e diferenças que não havia percebido antes. Ao final, Darsana acha que é capaz e desenvolve o tema com objetividade.
5. Aristides é um aluno aplicado de uma Escola Família Agrícola. Ele sabe que os pais estão fazendo um enorme esforço para mantê-lo na Escola... e ele está muito concentrado em aprender sobre Fisiologia Vegetal, pois sabe que é uma disciplina básica para entender agricultura e meio ambiente. Para isto, ele consulta os textos distribuídos, revisa suas anotações de classe, examina revistas especializadas sobre o tema, pensa bastante e coloca suas idéias no papel, para discutir com um grupo de colegas que preparavam juntos esta disciplina. Finalmente, pensa que entendeu o assunto e acredita que o reteve na memória.
Primeiro desafio
Partindo destes exemplos práticos, e mesmo outros da sua prática e experiência profissional e vivencial, vamos identificar os principais elementos que intervem na aprendizagem. Mias uma vez, gostaria de lembrar: vamos primeiramente exercitar nossa capacidade de reflexão... para depois ir adiante no texto.

Reflexão
Observando as situações colocadas anteriormente, podemos concluir sobre aprendizagem:
o aprendiz sente necessidade de resolver um problema, seja por motivação espontânea (Anna Luiza), seja por motivação induzida por outros agentes ou situações (extensionista, professor, a prova). O problema pode ser dominar uma operação (inseminação), adquirir conceitos ou vocabulário ou entender de um assunto técnico. Em todos os casos, a pessoa tem uma necessidade e um objetivo. Podemos concluir que a aprendizagem nasce de uma situação-problema (próprio ou induzido).
Para enfrentar o problema, que constitui uma barreira entre ela e seu objetivo, a pessoa se prepara: estuda, lê, consulta, pergunta, examina instrumentos, etc.
Muitas vezes o aprendizado é resultado de tentativas de aplicação de soluções. A pessoa faz tentativas de ação, ensaia, testa, tenta. Caetano e Anna Luiza tentam inseminar. Arthur procura dominar um novo vocabulário. Darsana ensaia várias comparações possíveis entre teorias de melhoramento. Aristides escreve conclusões parciais.
A pessoa constata o sucesso ou o fracasso de sua ação. Se tem êxito, a repete... caso contrário, faz outras tentativas ou abandona o esforço. Conhecer o resultado das tentativas é sempre fundamental para a aprendizagem, como é a repetição das ações bem sucedidas para sua fixação e retenção.
A recompensa do sucesso pode ser intrínseca ou extrínseca. Ou seja, o próprio ato de aprender, de conhecer algo novo, de entender, pode ser uma recompensa. Outras vezes, a recompensa é a palavra do extensionista (o seu “afago”... o seu “muito bem”... a notinha no jornal sobre a prática bem realizada... o reconhecimento frente à comunidade... ou frente aos outros alunos) ou um “prêmio” propriamente dito (resultado de concurso de produtividades por exemplo).
É possível perceber que existem diversos objetos de aprendizagem, conforme cada situação apresentada. Caetano e Anna Luiza querem aprender a manejar instrumentos e a técnica de inseminação. Arthur quer aprender o significa de novos termos. Darsana quer saber sobre a relação entre duas teorias, questões bastante abstratas. Aristides procura entender Fisiologia Vegetal e sua relação com a agricultura e meio ambiente.
Será que os processos mentais utilizados para estas diferentes formas de aprendizados são os mesmos?
Outra questão fundamental é reter que toda aprendizagem se baseia em aprendizagens anteriores, num processo de relação com o já apreendido, num processo cumulativo de conhecimentos. Caetano não poderia ter aprendido a inseminar uma vaca, se não tivesse conhecimentos de vários aspectos de anatomia animal bem como da existência de diversos tipos de instrumentos e da importância de sua higienização. Aristides não poderia aprender concretamente sobre Fisiologia Vegetal, se não tivesse um prévio conhecimento de Ciências Naturais, Botânica ou mesmo uma prática sobre as plantas e animais do seu universo vivencial. Darsana não poderia fazer comparações entre duas teorias se não houvesse aprendido antes o que é uma teoria e posteriormente o que expressam cada teoria que deveria comparar.
É importante observar que, junto às mudanças cognitivas, acontecem outros processos nas pessoas submetidas à situações de aprendizado: curiosidade, tensão, ansiedade, angústia, entusiasmo, frustração, alegria, emoção, impaciência, obstinação, e várias emoções acompanham o processo de perceber, analisar, comparar, entender, etc, que configuram o processo de aprender.
É possível concluir que quando se aprende algo, na realidade aprendem-se várias coisas importantes:
um novo conhecimento, que é fixado na memória. Por exemplo: na aprendizagem da inseminação, aprende-se também que o sêmem deve ser diluído;
uma melhor operação mental ou motora (se for o caso). Exemplo: nos casos de Caetano, Anna Luiza e Arthur, foram desenvolvidas habilidades de observar, de distinguir ou discriminar, de relacionar, de medir, de antecipar conseqüências, de avaliar efeitos. O processo de aprendizagem é complexo!
uma confiança maior na própria capacidade de aprender, e por conseguinte, de realizar operações que satisfaçam suas necessidades;
uma forma de manejar ou controlar as próprias emoções para que contribuam à aprendizagem.
Chegamos então à uma possibilidade de concluir aprendizagem como um processo integrado no qual toda a pessoa (intelecto, afetividade, sistema muscular) se mobiliza de maneira orgânica. Aprendizagem é um processo qualitativo, pelo qual a pessoa fica melhor preparada para novas aprendizagens. Não se trata então, de um aumento quantitativo de conhecimentos, mas de uma transformação estrutural da inteligência da pessoa.
Chegamos então a que aprendizagem pode ser entendida como a modificação consciente da conduta através de um processo cumulativo de conhecimentos e da experiência. Tem lugar na própria pessoa que aprende e é parte essencial para seu desenvolvimento.
Entretanto, nem todas as escolas pedagógicas partilham desta perspectiva. É possível imaginar outro modelo de ensino-aprendizagem, no qual a estimulação vem de fora, isto é, em que estímulos produzidos no ambiente (pelo extensionista, por professores, por estímulos tipo crédito subsidiado, por exemplo) provoquem no organismo uma série de respostas. Neste modelo, somente a “resposta certa” é recompensada ou reforçada pelo “prêmio” ao bom resultado é mantida e repetida.

[1] Exercício adaptado a partir de BORDENAVE, Juan Díaz. e PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de Ensino-Aprendizagem. Ed. Vozes: Petrópolis, 1989.
Este texto foi usado no Curso a Distância de Aperfeiçoamento em Agroecologia
Todos os textos sobre o tema “Enfoques pedagógicos para intervenção no meio rural”, poderão ser encontrados no seguinte endereço www.pronaf.gov.br/dater/arquivos/0730615587.doc
Eros Marion Mussoi
Agrotécnico, Engenheiro Agrônomo, Mestrado em Educação Agrícola e Extensão Rural, Doutorado em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. Extensionista da Epagri-SC, Professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente (2003-2006) exercendo funções no Ministério de Desenvolvimento Agrário/Secretaria de Agricultura Familiar/Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural, Brasília-DF. eros.mussoi@mda.gov.br

sábado, 21 de março de 2009

Dica: Blog da Rede do Saber

http://midiaseducacao.blogspot.com/2008/08/videoconferncia.html

Genealogia

Você gostaria de lembrar de todos os seus parentes?
Então faça um esforço e construa uma árvore genealógica.
Como fazer isto?
Existe um site chamado meusparentes.com.br, que é serviço gratuíto onde você pode construir a árvore genealógica de sua família, inclusive há a possibilidade de se criar uma rede social com a participação somente dos seus parentes.
Construí a árvore da minha família e foi ótimo relembrar de pessoas que amo tanto e agora ter que pesquisar mais dados sobre eles para completar os dados.
Este site oferece a possibilidade de pesquisar sobre a sua família inclusive em outros países.
Vale a pena tentar!

Um abraço e boa pesquisa,

Elenita

quinta-feira, 19 de março de 2009

Utilização de Ferramentas de Web 2.0

Sou aluna do Curso de Planejamento e Gestão de Educação à Distância promovido para UFF em parceria com a Universidade Aberta do Brasil, estou fascinada com as possibilidades da Web 2.0.
Pois além da comunicação eficiente, nos permite fazer vídeos, áudios, participar de redes sociais e construir blogs como este. Que tem a finalidade de socializar trabalhos realizados neste Curso com os colegas.

Um abraço e que este curso seja proveitoso a todos como está sendo para mim.

Elenita